Ano VI, n. 6, nov. 2019

Márcio José Andrade da Silva  Tiago Medeiros Sales  Rosemary Pedrosa  Silvano Severino Dia

Editorial

 

A Revista Partilhas é um periódico científico anual editado pela IMFIC Editorial pertencente ao Instituto Mineiro de Filosofia Clínica – IMFIC.  O periódico destina-se à publicação e divulgação de artigos inéditos da área de Filosofia, mais especificamente voltados à Filosofia Clínica, além de resenhas e traduções pertinentes à linha editorial da revista. Partilhas aceita trabalhos de professores e pesquisadores da Filosofia Clínica, vinculados à Centros de Formação, Associações Estaduais e à Associação Nacional de Filósofos Clínicos.

O ano de 2021 nos surpreendeu com duas perdas sentidas para a Filosofia Clínica; a primeira foi do professor Sebastião Soares, fundador do IMFIC, companheiro de uma boa prosa, articulador gabaritado, ele se afastado da Filosofia Clínica em virtude de compromissos de um outro papel existencial, passado o bastão do Instituto Mineiro para Marta Claus, mas sempre comparecendo a eventos quando convidado, nos presenteando com seu conhecimento e relatos do vivenciado.

A professora Rose Pedrosa, de Fortaleza, Ceará foi nossa outra perda. Sua dedicação ao ensinar é insuperável, a elaboração de material pedagógico ia para além dos Cadernos do professor Lucio Packter, aprofundando o conhecer sem descaracterizá-lo. Descaracterizar os ensinamentos packterianos seria uma afronta à EP da Rose. Seu primeiro trabalho hercúleo foi a escrita do Dicionário de Filosofia Clínica (2000), a Filosofia Clínica era uma nova linguagem que se anunciava, compreendê-la e espalhar foi seu objetivo. O próximo número da Revista Partilhas será dedicado totalmente à professora Rose, trazendo seus escritos e depoimentos, neste número trazemos seu último artigo, em parceria com o colega Tiago Sales.

Desta forma vamos este número inicia com um depoimento/agradecimento ao professor Sebastião Soares, elaborado pelo editor Márcio José Andrade da Silva. NADA SERÁ COMO ANTES, SEBASTIÃO. Navegando na música homônima de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, é apresentado a importância e o trabalho desenvolvido pelo professor Sebastião Soares na Filosofia Clínica.

Em seguida, o artigo FILOSOFIA CLÍNICA E EPISTEMOLOGIA: UMA REVISÃO EPISTEMOLÓGICA PARA UMA NOVA CLÍNICA EMERGENTE, de Tiago Medeiros Sales e Rosemary Pedrosa. Que propõem a necessidade de uma revisão científico-filosófica com vistas a entender onde a filosofia clínica se encaixa no contexto epistemológico e quais suas características positivas e/ou negativas relacionadas à assistência clínica pretendida. Realizando, portanto, uma revisão literária da filosofia clínica e da epistemologia, com posterior análise crítica.

O segundo artigo, FILOSOFIA CLÍNICA: PENSAR A ARMADILHA CONCEITUAL COMO UM JOGO DE LINGUAGEM. Apresentado por Silvano Severino Dias, busca analisar o significado semântico do termo armadilha conceitual, assim como o existencial. Enquanto significado semântico, armadilha conceitual consiste em um padrão de ação e comportamento construído pelo indivíduo na relação com o mundo. Por outro lado, na perspectiva existencial, pode ser compreendido como o significado das ações e comportamentos do indivíduo que objetivam expressar o porquê da sua existência.

FILOSOFIA E FILOSOFIA CLÍNICA é o artigo apresentado por Paula Regina Medeiros Prizo. Partindo da percepção do aumento do interesse sobre a Filosofia Clínica, questiona se seria um indicativo que a Filosofia conseguiu sair do interior da universidade para a comunidade? E, a Filosofia Clínica é Filosofia? Fazer uso do pensamento e teorias filosóficas para resolver conflitos e crises existenciais tem sido uma prática há milhares de anos, que vem conquistando mais espaço e credibilidade nas últimas décadas em todo o mundo. Através das pesquisas de grandes nomes como Gerd Achenbach, na Alemanha, Marc Sautet, na França; Lou Marinoff, nos EUA; e no Brasil, Lúcio Packter, a filosofia se tornou fundamento e recurso para o desenvolvimento de métodos terapêuticos cujo objetivo é ajudar as pessoas a lidar com suas questões existenciais.

Augusto de Castro Ferreira busca, em seu artigo MÉTODOS CLÍNICOS: FILOSOFIA CLÍNICA E ACUPUNTURA, abordar o desenho fundamental de parte da metodologia da Filosofia Clínica com intuito de mera apresentação dos termos e conceitos. Assim pode ser utilizado por estudantes de filosofia clínica para que tenham uma noção do que considera ser pertinente na estrutura metodológica da Filosofia Clínica. Para, no segundo momento apresentar algumas semelhanças primordiais entre a Filosofia Clínica e Acupuntura, tanto na parte teórica quanto prática dessas terapêuticas.

A LINGUAGEM COMO CAMINHO: UMA INTERSEÇÃO ENTRE HISTORICIDADE, BASES CATEGORIAIS E LINGUAGEM EM FILOSOFIA CLÍNICA é o artigo apresentado Letícia Maria Lopes Rodrigues. Partindo dos conceitos basilares da Filosofia Clínica a autora nos apresenta a questão central neste artigo é saber se a linguagem é capaz de apreender as experiências vividas no mundo e traduzir de modo completo uma existência experimentada em palavras, utilizando-se da proposta metodológica da Filosofia Clínica, levando em conta três pilares: a historicidade, a colheita categorial e a filosofia da linguagem.

ESPECIALIZAÇÃO EM FILOSOFIA CLÍNICA: UMA EXPERIÊNCIA SINGULAR é o artigo de Thiago Geraldo Santos Sales. O presente artigo visa construir uma reflexão sobre o curso de especialização em Filosofia Clínica tendo como motor a minha experiência nesse curso. O objetivo é elucidar o que é Filosofia Clínica e quais os principais elementos de um atendimento em clínica. Nesse sentido, farei uma breve introdução de meu envolvimento com o curso, seguido de considerações sobre o que é essa proposta. Feito isso, farei uma breve exposição do método utilizado pelo terapeuta passando pelo significado da historicidade e de três elementos básicos, quais sejam Exames Categoriais, Estrutura de Pensamento (EP) e os Submodos.

   

Em nossa seção de Reflexão, contamos com a colaboração de Maria de Lourdes F. Araújo, SIGNIFICANDO O SIGNIFICADO EM FILOSOFIA CLÍNICA, como iniciante na Filosofia Clínica, assim Maria de Lourdes se identifica, nos traz o seu cotidiano de estudos, e nos apresenta suas elaborações sobre o tópico 16, significado.

Finalizamos com o tradicional RELATO DO nosso ENCONTRO MINEIRO, elaborado pelo colega e professor Kelsen Melo.

A ilustração da capa é o registro fotográfico da artista plástica Aya Andrade, que autora do da obra de arte que ilustrou nosso número anterior.

Boa leitura.

Conselho Editorial.